A morte é sem dúvidas a única certeza que todos nós temos. Nascemos já sabendo que morrer é o ponto final da jornada da vida. Mas, e se pudéssemos enganar a morte? E se fosse possível fazer o upload da nossa consciência para um robô? Teríamos assim alcançado a vida eterna? Ou seríamos apenas meras representações digitais de nós mesmo em um corpo cibernético?

Representado nos filmes transcendence interpretado por Johnny Depp e Cópias - de volta a vida, de Keanu Reeves. O Upload e download da chamada consciência humana ainda parece ser coisa de ficção científica. Para ultrapassar as fronteiras dos filmes hollywoodianos e chegar a vida real, cientistas do Vale do Silício, cientistas da computação, especialistas em inteligência artificial (IA) e empresas estão na corrida para alcançar tal feito. Por meio dessa tecnologia, especialistas em IA acreditam que a digitalização da vida seria uma maneira de enganar a morte e obter a tão sonhada vida eterna.

A startup americana Nectome é uma das companhias que buscam a preservação da memória humana para o alcançar o objetivo da vida eterna. Além da Nectome, futuristas e bilionários como Raymond Kurzweil e o Russo Dmitry Itskov, respectivamente, tem se empenhado em tornar a vida humana ilimitada. 

O bilionário Dmitry foi o criador do programa 2045, ele visa fazer o upload do próprio cérebro para um avatar holográfico. O programa foi criado em 2011 e tem planejamento de desenvolver quatro tipos de avatares ao longo dos anos. O primeiro deles, o Avatar A,  já foi alcançado, seria um avatar controlado por interface cérebro máquina. O avatar B (2020-2025) é o projeto no qual o cérebro humano será transplantado para um corpo cibernético após a morte biológica do indivíduo. O Avatar C (2030-2035) tem como objetivo implantar um cérebro artificial no corpo cibernético. E por fim, o Avatar D (2040-2045) será a criação de um Avatar na forma holografica. 


Imagem: O bilionário Russo Dmitry Itskov e seu programa 2045

Para alcançar a vida digital pesquisadores acreditam que esse feito será realizado por meio de scanners semelhantes ao que temos hoje no MRI (Imagem por ressonância magnética), entretanto, esses scanners de alta eficiência serão capazes de atingir níveis moleculares e dessa maneira identificar as redes neurais que constituem o cérebro humano, podendo recriá-la assim por meio de redes neurais artificiais. Entretanto, outros cientistas acreditam que o método para alcançar a digitalização cerebral seria por meio de métodos invasivos, no qual o paciente deveria ser eutanasiado e assim, manter a preservação cerebral intacta ou mortes que não venham a danificar o cérebro, como, acidentes com traumatismo craniano e desordens neurodegenerativas, a citar, o Parkinson.

Transmitir a consciência humana para um robô talvez seja uma tarefa impossível segundo alguns especialistas. A consciência humana ainda não é compreendida por cientistas. Cientistas acreditam que existem dois tipos de consciência, a primária e a secundária. A consciência primária está presente em todos os animais, é aquela na qual, por repetição vamos adquirindo memória de eventos específicos e assim sendo conscientes sobre determinados eventos, a citar,  situações de perigo que envolve resposta rápida de luta ou fuga. Por sua vez, a consciência secundária está presente apenas em humanos. Este tipo de consciência é aquela na qual nos questionamos sobre a existência do nosso próprio eu e nos permite sermos criativos.

Por esse motivo, alguns pesquisadores acreditam que jamais seremos capazes de fazer um download da consciência humana. Como é o caso do pesquisador japonês roboticista Hiroshi Ishiguro. Segundo Ishiguro, existem dois níveis de imortalidade, a consciência pessoal e a imortalidade social. Para Ishiguro, com auxílio da tecnologia seremos capazes de atingir a imortalidade social, na qual, as características e personalidade de um indivíduo poderá ser replicada e digitalizada para então ser implantada em um robô. É o que já existe atualmente com as inteligências artificiais do google e na netflix que armazenam na memória nossas preferências e interesses pessoais e por meio delas nos mostram conteúdos na internet que podem nos agradar. Entretanto, a imortalidade por meio da consciência pessoal para Ishiguro talvez nunca iremos alcançá-la. Porque para ele, a consciência não é algo contínuo.


Referência: 

[1]https://www.nbcnews.com/mach/tech/your-brain-cloud-how-tech-world-wants-disrupt-death-ncna894191


[2] https://nectome.com/




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Autor: Tássia Nunes
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