Fato totalmente comum nos dias de hoje, ver os adolescentes, nas mais diversas ocasiões, fazendo uso de seus smartphones. Há muitas coisas simples do dia-a-dia que podem ser resolvidas usando-se smartphones, como questões de banco, realizar pesquisa, usar serviços de entrega (comida e compras online) ou serviço de transporte (como pedir taxi ou descobrir qual o melhor caminho para algum destino); entretanto, esse não é o principal uso que os adolescentes fazem de seus aparelhos celulares. O principal uso está muito mais relacionado com aplicativos de redes sociais e jogos; e nesse sentido é que podemos encontrar o problema. Sabemos que adolescente usam bastante, mas isso pode ser visto como vício? O que poderia caracterizar o adolescente como viciado em aparelho celular?

Um estudo de King’s College London foi investigar isso (1). Eles analisaram 41 estudos publicados desde 2011 envolvendo uso de smartphones num total de 41.871 adolescentes. Trinta desses estudos vieram da Ásia, 9 da Europa e 2 dos Estados Unidos. Para verificar a possibilidade de comportamento relacionado a vício, os pesquisadores buscaram pelo que eles chamaram de indicadores de uso problemático dos celulares. Esse indicador envolvia qualquer comportamento relacionado ao smartphone semelhante a vício, como entrar em pânico ou ficar chateado quando celular está indisponível, ter dificuldade para lidar com o tempo gasto no celular e o tipo de atividade de centretenimento desenvolvida no celular. Entre os estudos, esses indicadores se mostraram presentes em 10 a 30% dos adolescentes, dando uma média de 23% entre os estudos. Falando-se em diferença entre jovens homens ou mulheres, as adolescentes mulheres em geral se encaixaram mais nesses indicadores analisados.

Além disso, foi medida a relação desses indicadores e o uso de smartphones, com sintomas de depressão, ansiedade, estresse e má qualidade de sono. Entretanto, não se pode já concluir que o grande uso de smartphone pode necessariamente causar distúrbios mentais. Uma vez que esses estudos mostram a correlação entre o uso grande uso de smartphones e distúrbios mentais, mas não demonstraram casualidade. Ou seja, não demonstraram que o grande uso de smartphone foi a causa para o desenvolvimento dos distúrbios mentais. De qualquer maneira, esses estudos trazem uma preocupação em expor crianças e adolescentes ao uso excessivo de smartphones e os pais devem ter em mente que o uso excessivo desse dispositivo pode não ser tão benéfico.

 

1.         Sohn S, Rees P, Wildridge B, Kalk NJ, Carter B. Prevalence of problematic smartphone usage and associated mental health outcomes amongst children and young people: a systematic review, meta-analysis and GRADE of the evidence. BMC Psychiatry [Internet]. 2019;1–10. Available from: http://link.springer.com/article/10.1186/s12888-019-2350-x?utm_source=researcher_app&utm_medium=referral&utm_campaign=RESR_MRKT_Researcher_inbound

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