Quão fundamentalmente diferentes nos acreditamos que que homens e mulheres possuem de divergências? O essencialismo de gênero se refere às crenças de que homens e mulheres possuem em suas matérias biológicas aspectos que os diferenciam inatas e fixas do próprio gênero, diferenciando-se uns dos outros e sendo determinante para a forma que estes se comportam! Mas, o interessante é que com o avançar da pesquisa, especialmente neurocientifica e a inserção da mulher um múltiplos contextos mudou bastante essas perspectivas!!!

 

  

 

Um conceito que não é muito discutido, mas, que acaba determinando muitas vezes a forma que estruturamos nossos pensamentos é o de “crenças essencialistas”, estas enfatizam que os membros de uma categoria social compartilham um conjunto de propriedades inatas e fixas que definem quem eles são. Essa suposta essência das categorias sociais é entendida como se viesse através de uma base biológica, ou seja, hormônios, genes, etc., diferenciaram essas pessoas de diferentes raças, que consequentemente, possuiriam composições genéticas diferentes.

Do mesmo modo essa lógica se aplicaria para homens e mulheres que têm traços e características diferentes devido às sua natureza biológica inata! Entretanto, uma essência não necessariamente precisa ser inata ou biológica. De fato, os pesquisadores sugerem que as pessoas podem especializar categorias sociais por meio de crenças em diferenças fundamentais e fixas com raízes sociais ou culturais.

E dentro das categorias sociais mais fortemente essencializadas está o GÊNERO. O essencialismo de gênero se refere à visão de que "mulheres e homens são distinta, imutavelmente e naturalmente diferentes. Pois, além de uma perspectiva biológica clara, também têm-se um viés cultural e social muito forte! E daí também surge a ideia de que existem diferenças cerebrais entre homens e mulheres. E, principalmente porque essas diferenças refletem em papéis sociais, comportamentos e característica muito distintas!

Vários estudos em neurociência, envolvendo ressonância magnética funcional (fMRI) encontram diferenças de sexo, e, de fato, estas estão super-representados na literatura e comumente são títulos de várias e várias publicações científicas. Entretanto, alguns pesquisadores quiseram trazer uma perspectiva diferente. A pesquisa mostrou que as crenças essencialistas de gênero podem servir à manutenção e reprodução da desigualdade de entre homens e mulheres. Mais especificamente, as crenças nas diferenças fundamentais entre homens e mulheres, justificadas até mesmo pela pesquisa neurocientífica podem servir para embasar os diferentes papéis que se espera que homens e mulheres desempenhem na sociedade, bem como normalizar as desigualdades de poder e status resultantes desses papeis.

E nem sempre essa justificativa é direta, é consciente! Mas, nos, como pesquisadores precisamos desse compromisso social e dessa autorreflexão sobre as coisas que divulgamos, e como estas serão entendidas pelas pessoas, especialmente os mais leigos, e o quanto podemos estar reforçando uma crença que manifesta desigualdade!!!!

 

Referências

DAR-NIMROD, Ilan; HEINE, Steven J. Exposure to scientific theories affects women's math performance. Science, v. 314, n. 5798, p. 435-435, 2006.

KELLER, Johannes. In genes we trust: the biological component of psychological essentialism and its relationship to mechanisms of motivated social cognition. Journal of personality and social psychology, v. 88, n. 4, p. 686, 2005.

ŞAHIN, Özlem; YALCINKAYA, Nur Soylu. The gendered brain: Implications of exposure to neuroscience research for gender essentialist beliefs. Sex Roles, p. 1-14, 2020.

SKEWES, Lea; FINE, Cordelia; HASLAM, Nick. Beyond Mars and Venus: The role of gender essentialism in support for gender inequality and backlash. PloS one, v. 13, n. 7, p. e0200921, 2018.

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