As contribuições do gênero feminino não são de hoje. Mesmo com muito menos direitos, as mulheres vêm contribuindo significativamente para a ciência há anos. E não são poucos os exemplos: Marie Curie, Rosalind Franklin, Barbara McClintock, Lynn Margulis, Ada Lovelace e tantas outras.

No entanto, não são as vantagens em ser cientista que nos movem, visto que há um viés muito grande de gênero na ciência. Temos espaço, mas não temos o devido reconhecimento de nossas contribuições. Apesar de sermos minoria no campo científico, felizmente, as mulheres vêm ocupando cada vez mais espaço.

Um estudo controlado de 2012 verificou que, mesmo com currículos idênticos para a vaga de gerente de um laboratório, professores de universidades, tanto homens quanto mulheres, consideraram o currículo masculino significativamente mais competente, além de sugerirem um salário significativamente maior para o mesmo.

Em 2014, o viés de gênero se mostrou ainda maior em um estudo que solicitou a alunos de MBA para contratar um candidato para um emprego em matemática que que incluíam o gênero e a pontuação matemática dos candidatos. Esse estudo mostrou que tanto homens e mulheres têm duas vezes mais chances de contratar um homem do que uma mulher, mesmo que o desempenho da mulher seja superior.

Já em 2017, pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram o efeito dos números de publicação na capacidade de promoção do corpo docente no campo da economia. Eles descobriram que, independentemente de o corpo docente do sexo masculino ter publicado com autores de ambos os sexos, eles recebiam entre 6 a 8% de crédito. Já as mulheres que publicaram com outras autoras receberam cerca de 9% de crédito, mas as mulheres que publicaram com homens receberam menos de 1% na escala de crédito. Ponto para as mulheres! (ok, isso não é uma disputa)

Em relação no âmbito educacional, ainda persiste um vasto viés de gênero. Um estudo verificou que as meninas superaram os meninos em um exame classificado anonimamente, mas os meninos superaram as meninas quando os professores souberam seus nomes. Esse viés contra a capacidade intelectual das mulheres é imposto desde cedo, principalmente para nós mulheres. Outro estudo mostrou que quando crianças, nós somos menos propensas a identificar nossos pares como pessoas inteligentes, ao contrário dos meninos.

Todos esses estudos mostram que o sexismo na ciência é presente. No entanto, é um dilema para além do científico. É cultural, mas ainda é um problema. Mas a ciência é um excelente meio para alcançarmos a equidade intelectual, profissional, educacional, social, entre vários outros âmbitos.

Referência:

Roper, R. L. (2019). Does Gender Bias Still Affect Women in Science? Microbiology and Molecular Biology Reviews, 83(3):e00018-19.

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