No último Blog que tratamos sobre a produção científica feminina durante o cenário atual de isolamento social, onde levantamos alguns pontos que podem interferir no desempenho científico feminino. Aqui vamos tratar de um dos dilemas femininos vivenciados durante o isolamento: violência doméstica.


Yasmin Formiga, estudante de artes visuais. Fonte: Reprodução.

 

Acima coloquei uma foto de Yasmin Formiga, estudante de artes visuais que fez uma exposição na Casa da Pólvora, em João Pessoa, em março desde ano, um pouco antes de entrarmos em isolamento social. Sua exposição abordava sobre a violência contra mulher, muitas vezes letais. Vale ressaltar, assim, que a violência doméstica não é um problema que surgiu com isolamento, já faz parte da nossa realidade desde sempre.

No geral, uma a cada três mulheres em idade reprodutiva sofreu violência física ou violência sexual por um parceiro íntimo durante a vida, e mais de um terço dos homicídios de mulheres  também são feitos pelo parceiro íntimo. O isolamento social imposto pela pandemia da COVID-19 traz à tona, de forma potencializada, alguns indicadores preocupantes acerca da violência doméstica e familiar contra a mulher. As organizações voltadas ao enfrentamento da violência doméstica observaram aumento da violência doméstica por causa da coexistência forçada, do estresse econômico e de temores sobre o coronavírus.

O jornal feito por mulher, The Lily, traz um artigo recente que fala um pouco sobre, o “Women in Mexico were mobilizing like never before against gender-based violence. Then the pandemic hit” - “As mulheres no México estavam se mobilizando como nunca antes contra a violência de gênero. Então a pandemia atingiu”. Nele, elas relatam que a violência doméstica ganhou nova urgência durante a pandemia. 

Em todo o mundo, muitas mulheres agora estão presas em casa com parceiros abusivos, o que levou ao aumento de denúncias de violência. No México, o exemplo citada no artigo, a Rede Nacional de Abrigos registrou um aumento de 80% nas ligações telefônicas de emergência relacionadas à violência doméstica desde o início do confinamento. Na China os registros policiais de violência doméstica triplicaram durante a epidemia. Na Itália, na França e na Espanha também foi observado aumento na ocorrência de violência doméstica após a implementação da quarentena domiciliar obrigatória.

No Brasil, segundo a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), entre os dias 1º e 25 de março, mês da mulher, houve crescimento de 18% no número de denúncias registradas pelos serviços Disque 100 e Ligue 1808. No país, o necessário isolamento social para o enfrentamento à pandemia escancara uma dura realidade: apesar de chefiarem 28,9 milhões de famílias, as mulheres brasileiras não estão seguras nem mesmo em suas casas.

A demora com a burocracia para formalizar a denúncia, esta ser investigada e chegar a uma punição ao agressor leva um certo tempo. O problema é que com as medidas de isolamento, necessárias inclusive, as denúncias não estão sendo feitas pessoalmente, apenas por telefone, salvo em casos de agressão grave e feminicídio. Porém o problema é que as mulheres moram com os agressores e a espera pode ser letal. Como fugir do agressor que dorme ao seu lado em épocas de isolamento? Para onde fugir?

No isolamento, com maior frequência, as mulheres são vigiadas e impedidas de conversar com familiares e amigos, o que amplia a margem de ação para a manipulação psicológica. O controle das finanças domésticas também se torna mais acirrado, com a presença mais próxima do homem em um ambiente que é mais comumente dominado pela mulher. A perspectiva da perda de poder masculino fere diretamente a figura do homem provedor, servindo de gatilho para comportamentos violentos.

Para contornar essas dificuldades e acolher as denúncias de violência doméstica e familiar, o MMFDH lançou plataformas digitais dos canais de atendimento da ONDH: o aplicativo Direitos Humanos BR e o site: <ouvidoria.mdh.gov.br>, que também poderão ser acessados nos endereços: <disque100.mdh.gov.br> e <ligue180.mdh.gov.br>. Por meio desses canais, vítimas, familiares, vizinhos, ou mesmo desconhecidos poderão enviar fotos, vídeos, áudios e outros tipos de documentos que registrem situações de violência doméstica e outras violações de direitos humanos.

Diante do exposto, estamos passando por um momento complicado em todos os aspectos. A ciência entra com um papel importante, desde encontrar uma vacina eficaz para o Coronavírus até mesmo a fazer esses levantamentos de problemáticas atuais, como a violência doméstica durante o isolamento. Para finalizar, sempre bom lembrar que em caso de violência: denuncie, peça ajuda.

 

Referências

 

Wattenbarger, M. Women in Mexico were mobilizing like never before against gender-based violence. Then the pandemic hit, 2020. Disponível: <https://www.thelily.com/women-in-mexico-were-mobilizing-like-never-before-against-gender-based-violence-then-the-pandemic-hit/>. Acessado em: 04 Abr. 2020.

 

 

VIEIRA, Pâmela Rocha; GARCIA, Leila Posenato; MACIEL, Ethel Leonor Noia. Isolamento social e o aumento da violência doméstica: o que isso nos revela?. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 23, p. e200033, 2020.

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