Jackson Cionek
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Feliz 2025: suas memórias de 2025 viram a lente com que você enxerga 2026

Feliz 2025: suas memórias de 2025 viram a lente com que você enxerga 2026

“Feliz 2025” hoje não é sobre calendário. É sobre método. É um jeito de dizer: eu volto ao que vivi em 2025, reorganizo o sentido — e entro em 2026 com menos dureza e mais clareza.

Essa proposta conversa com a ideia central de A Felicidade para Além da Ilusão (Gabriel Rolón): felicidade não é “ganhar a vida perfeita”. É parar de exigir que o mundo confirme uma fantasia e aprender a sustentar um modo mais verdadeiro de estar no real — com perdas, contradições e escolhas. É maturidade afetiva sem cinismo.

E por que isso importa agora? Porque 2025 (para muita gente) foi o ano em que o “eu” ficou mais parecido com um Avatar em Zona 3: tentando dar sentido imediato ao que não tem sentido, operando por pressa, medo, comparação, pertencimento rápido e narrativa pronta. O corpo segue vivo, mas a primeira pessoa fica governada por um piloto externo.


O ponto de partida: você não é “uma ideia na cabeça”

No seu vocabulário: Eu-Bioma.

Você é um sistema vivo sustentado por fluxos: água, energia, nutrientes, descanso, temperatura, respiração, microtensões, microbioma, relações. E a consciência, na prática, é governança sentida desse conjunto: interocepção (sinais internos) + propriocepção (posição/ação), integradas em “sou eu aqui, agora”.

Quando isso está íntegro, você sente e escolhe.
Quando isso é sequestrado, você reage e justifica.


A ilusão que envelhece o coração

A ilusão mais comum é esta: “se eu organizar tudo (ou vencer tudo), eu fico bem”.

Só que a vida não assina contrato com essa promessa. Então a mente cria um atalho: narrativas que substituem sinal. E aí você não precisa sentir de verdade; basta repetir uma explicação pronta.

É aqui que o “Feliz 2025” vira um gesto profundo: ressignificar memórias não para “romantizar” o passado, mas para recuperar o comando do Eu-Bioma sobre o Eu-Avatar.


Quando líderes parecem “quase psicopatas”

Há um tema desconfortável que você quer incluir: muitos políticos e líderes religiosos parecem operar perto da psicopatia. Dá para falar disso com precisão sem virar acusação solta.

O que livros como Um Psicopata Entre Nós (Vicente Garrido) ajudam a enxergar é que existem padrões de funcionamento (não diagnósticos automáticos) que aparecem em certos perfis e, principalmente, em ambientes que premiam:

  • charme instrumental (seduzir para usar),

  • mentira funcional (mentir como técnica),

  • ausência de culpa (sem freio interno),

  • frieza diante do sofrimento (gente vira número),

  • necessidade de controle (verdade única).

O ponto não é “carimbar” pessoas. O ponto é entender o mecanismo: sistemas de poder podem selecionar traços que aumentam dano coletivo. E, quando isso acontece, o cidadão comum tende a cair num estado emocional perfeito para a colonização: medo, raiva, urgência, certeza.


Percepção colonizada: quando sinal vira narrativa

A colonização da percepção acontece assim:

  1. O corpo muda primeiro
    Respiração encurta, mandíbula trava, ombros sobem, olhar estreita.

  2. A narrativa chega depois
    “Eu tenho que reagir.”
    “Eu não posso perder.”
    “Eles estão me perseguindo.”
    “Eu sou melhor do que isso.”
    “Se o outro ganhou, foi trapaça.”

  3. A história vira identidade
    Você não está só com tensão — você passa a “ser” a tensão explicada.

Isso é Zona 3: o Eu-Bioma segue vivo, mas a primeira pessoa vira personagem.


A ferida social: “dor de ver o inferior melhorar”

Esse ponto é cruel porque é real: há pessoas que sofrem ao ver quem era mais pobre receber ajuda, ter quatro benefícios, ou simplesmente melhorar a renda — e isso parece “injustiça” para quem não suporta perder posição.

Mas isso não é economia; é psicologia de status.
O Avatar pensa em ranking: se alguém sobe, eu desço.
O Eu-Bioma pensa em sistema: se o ecossistema humano estabiliza, todo mundo respira melhor.

Quando o Avatar governa, a pessoa prefere acreditar em qualquer narrativa que preserve sua identidade — mesmo diante de provas, prisões, investigações, fatos. A frase muda, mas a função é a mesma: proteger o personagem.


O Brasil e o vício em enredo: “é perseguição”

Aqui entra um padrão universal (não só Brasil): quando a realidade fere a identidade do grupo, a pessoa não corrige a crença; ela troca a régua de evidência. E daí nasce o mantra: “isso é perseguição”.

O problema é que essa dinâmica quebra a soberania da primeira pessoa. Você deixa de checar sinal e dado; você checa lealdade.


A árvore caiu no bosque… e ninguém filmou

No mundo do feed, muita gente vive presa num paradoxo:

  • sem registro, “não existe”;

  • com registro, “pode ser manipulado”.

Então como acreditar?

A saída é simples e adulta: cada tipo de coisa pede uma régua de evidência diferente.

  • Para eventos íntimos: sinal do corpo + coerência no tempo.

  • Para fatos sociais: fontes independentes + consistência entre evidências.

  • Para narrativas virais: desconfiança padrão + checagem metacognitiva.

A árvore pode ter caído sem ninguém ver. E um vídeo pode ser falso mesmo viralizando. O ponto é: não viver refém do “parece”.


O ritual “Feliz 2025” em 10 minutos

Sem misticismo. Só soberania.

1) Três memórias (2 min)
Liste 3 eventos marcantes de 2025 (sem explicar).

2) Sinal do Eu-Bioma (3 min)
Para cada evento, escreva só sinais:
respiração, mandíbula, peito, sono, fome, tensão.

3) Narrativa do Avatar (3 min)
Escreva a frase pronta que apareceu:
“eu tenho que… / eu sou… / eles estão… / se eu não…”

4) Ressignificação terna (2 min)
Reescreva assim:

“Eu vivi _____. Meu corpo pediu _____. Em 2026, eu respondo com _____.”

Feche com 6 expirações um pouco mais longas e a frase:
“Eu uso narrativas, mas eu moro no meu bioma.”


CTA final (1 minuto)

Agora, faça isto e guarde:

  1. Escreva 3 coisas que abrem seu Eu-Bioma (sono, água, silêncio, comida simples, caminhada…).

  2. Escreva 3 coisas que fecham seu Eu-Bioma (tela tarde, pressa, comparação, briga, açúcar…).

  3. Escolha uma ação mínima para 2026: “todo dia eu volto ao sinal antes do feed.”

Se você quiser transformar isso numa série forte: copie este texto, publique, e no final pergunte nos comentários:
“Qual memória de 2025 você quer ressignificar — e qual sinal do seu corpo te avisou primeiro?”

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Jackson Cionek

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