Jackson Cionek
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Felicidade não é pensar positivo, é sair do piloto automático

Felicidade não é pensar positivo, é sair do piloto automático

Não mude quem você é. Mude o modo.

Quando alguém está cansado, ansioso ou perdido, o conselho costuma ser imediato:
“Pense positivo.”
“Mude seus pensamentos.”
“Tenha outra atitude.”

Mas isso quase nunca funciona por muito tempo.

E não funciona porque o problema não é o conteúdo do pensamento.
O problema é o modo em que o cérebro está operando.

Você pode estar pensando algo “positivo”
e ainda assim estar preso no piloto automático.


O cérebro não pensa de um jeito só

O cérebro humano não opera em um único modo fixo.
Ele alterna modos funcionais, dependendo da tarefa, do ambiente e do estado corporal.

No nosso modelo, usamos uma metáfora simples para explicar isso:
Pedra – Papel – Tesoura.

Não é julgamento.
Não é rótulo.
É ferramenta de percepção.


Tesoura — “Pensar devagar” (modo pré-frontal)

A Tesoura representa o modo analítico e executivo:

  • planejar

  • classificar

  • comparar

  • decidir

  • controlar

Esse modo é essencial para estudar, organizar, construir métodos.
Sem Tesoura, não há ciência.

O problema aparece quando a Tesoura fica ligada o tempo todo.

Nesse estado:

  • tudo vira problema

  • o erro vira ameaça

  • o corpo fica tenso

  • a mente fica rígida

Pensar positivo aqui vira apenas mais controle.


Pedra — “Pensar rápido” (modo sensório-motor)

A Pedra representa o modo automático:

  • hábitos

  • respostas rápidas

  • defesa / ataque / fuga

  • repetição do conhecido

Esse modo é eficiente.
Ele economiza energia.

Mas quando a vida vira só Pedra:

  • você reage sem perceber

  • repete padrões que já não funcionam

  • vive no “sempre foi assim”

Aqui, o pensamento nem chega a aparecer.
É puro piloto automático.


Papel — Fruição + Metacognição (Zona 2)

O Papel é o modo mais confundido — e o mais raro.

Ele não é:

  • euforia

  • empolgação constante

  • pensamento positivo forçado

O Papel é:

  • atenção aberta

  • corpo regulado

  • percepção ampliada

  • presença sem esforço

No Papel:

  • você percebe o que está acontecendo

  • sem precisar controlar

  • sem reagir imediatamente

Esse é o estado que chamamos de Zona 2.

A felicidade real aparece aqui
não como excitação,
mas como clareza sem ruído.


O problema não é estar no piloto automático

Estar em Pedra ou Tesoura não é erro moral.
Não é fraqueza.
Não é falha pessoal.

É biologia.

O problema começa quando:

  • você não percebe o modo em que está

  • confunde modo com identidade

  • tenta “pensar positivo” dentro de um modo rígido

Aí nasce a frustração:

“Eu sei o que deveria fazer, mas não consigo.”

Porque não é uma questão de querer.
É uma questão de modo cerebral.


Yagé: perceber o modo muda tudo

Aqui entra o avatar Yagé.

Yagé não pede mudança imediata.
Ele pede consciência do modo.

Perguntas simples que ativam Yagé:

  • Estou reagindo ou percebendo?

  • Estou tentando controlar ou estou presente?

  • Meu corpo está acelerado ou regulado?

Só de perceber o modo, algo já muda.

Você não sai do piloto automático
tentando acelerar mais o pensamento.
Você sai percebendo que está no piloto automático.


Pequenas práticas para voltar ao Papel (Zona 2)

Nada complexo.
Nada místico.

Alguns exemplos simples:

  • pausar antes de responder

  • sentir os pés no chão

  • alongar o corpo por alguns segundos

  • reduzir estímulo em vez de adicionar esforço

  • respirar mais lento do que o habitual

Essas ações não mudam quem você é.
Elas mudam o estado do sistema.

E quando o sistema muda,
o pensamento muda sozinho.


Math/Hep: ciência como ferramenta, não como opressão

O avatar Math/Hep entra aqui para lembrar algo importante:

Ciência não serve para dizer
“como você deve ser”.

Ciência serve para:

  • medir estados

  • testar hipóteses

  • entender relações de causa

  • evitar autoengano

Math/Hep não manda você “pensar positivo”.
Ele pergunta:

  • em que modo o sistema está?

  • o que muda esse modo?

  • qual variável posso testar agora?

Ciência boa liberta,
não aprisiona.


Pensar positivo não muda modo

Você pode repetir frases positivas
e continuar em Tesoura rígida ou Pedra defensiva.

Felicidade não é convencer a mente.
É organizar o sistema.

Quando o corpo regula,
quando o ritmo desacelera,
quando a atenção se amplia,

o pensamento naturalmente muda de tom.

Sem esforço.


O ponto central

Você não precisa virar outra pessoa.
Não precisa “melhorar sua personalidade”.
Não precisa brigar com seus pensamentos.

Você só precisa perceber o modo
e criar condições para sair do piloto automático.

Ou, na frase-chave para guardar:

Não mude quem você é. Mude o modo.

Quando o modo muda,
a felicidade deixa de ser uma ideia
e vira um estado possível agora.


Referências científicas (pós-2020):

  1. Balconi, M., Angioletti, L., & Amenta, S. (2024).
    Sincronização inter-cerebral durante a interocepção: uma abordagem de hiperscanning multimodal baseada em coerência EEG–fNIRS.
    Neuroscience & Biobehavioral Reviews.
    — Estudo que combina EEG e fNIRS mostrando que a atenção interoceptiva (ex.: foco na respiração) modula a coerência neural entre indivíduos, evidenciando mudanças de modo funcional do cérebro associadas à regulação e presença (Zona 2).

  2. Chen, X., Liu, Y., & Zhang, D. (2024).
    Reconhecimento de emoções baseado em EEG–fNIRS utilizando redes de convolução em grafos e atenção por cápsulas.
    Brain Sciences.
    — Demonstra que estados emocionais e atencionais são identificáveis objetivamente por EEG + fNIRS, reforçando que mudar o conteúdo do pensamento não equivale a mudar o modo operacional do sistema neural.

  3. Nozawa, T., et al. (2021).
    Sincronização neural interpessoal durante interação social: um estudo de hiperscanning com EEG e fNIRS.
    NeuroImage.
    — Evidencia que diferentes formas de interação produzem padrões distintos de sincronização neural, apoiando a ideia de modos automáticos (Pedra), analíticos rígidos (Tesoura) e estados regulados de coordenação (Papel/Zona 2).

  4. Koike, T., Tanabe, H. C., & Sadato, N. (2021).
    Desenhos experimentais em neuroimagem por hiperscanning para pesquisa em interação social: uma revisão.
    NeuroImage.
    — Revisão metodológica que valida o uso de EEG e fNIRS para estudar estados cognitivos e sociais em tempo real, reforçando a ciência como ferramenta de observação e teste, não como autoridade normativa.

  5. Raimondo, F., Cheng, R. K., et al. (2023).
    Estados cerebrais de divagação mental identificados com EEG–fNIRS simultâneo.
    Cognitive Neurodynamics.
    — Mostra que mind wandering (piloto automático) e estados de atenção regulada apresentam assinaturas neurais distintas, sustentando a tese de que felicidade não é “pensar positivo”, mas sair do modo automático.


Como essas referências sustentam o Blog

  • O problema não é o conteúdo do pensamento, mas o modo cerebral
    → EEG/fNIRS diferenciam estados automáticos, analíticos rígidos e estados de atenção regulada (Raimondo et al., 2023).

  • Piloto automático não é erro moral
    → Estudos mostram que modos automáticos são estados neurofuncionais normais, mensuráveis e reversíveis por mudança de estado corporal/atencional.

  • Zona 2 (Papel) é um estado regulado e mensurável
    → Coerência neural e padrões hemodinâmicos (Balconi et al., 2024) indicam transição para estados de presença e fruição com metacognição.

  • Ciência como ferramenta, não como opressão
    → Hiperscanning e medidas multimodais permitem observar e testar hipóteses sobre estados mentais sem prescrever identidades ou narrativas (Koike et al., 2021).


Resumo em uma frase (alinhado ao Brain Bee)

A ciência mostra que felicidade não depende de pensar melhor, mas de mudar o modo em que o cérebro está operando — algo observável, testável e treinável com EEG e fNIRS.





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Jackson Cionek

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