Jackson Cionek
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Copa 2026 - o jogo maior é Descolonizar o Planeta

Copa 2026 -  o jogo maior é Decolonizar o Planeta

Da dívida para a existência, do corpo capturado para o corpo-território, do dinheiro que cobra para o dinheiro que permite viver

A Copa 2026 começou como futebol.

Mas, nesta série, ela virou portal.

Portal para falar de bola antes do futebol moderno.
Portal para falar de Corpo-Território 5D.
Portal para falar de Mata Atlântica, UMBU e Joinville.
Portal para falar de Weichö, APUS, Tekoha e Jiwasa.
Portal para falar de bets, racismo, alostase coletiva, NIRS, EEG e metabolismo de energias coletivas.
Portal para perguntar que tipo de planeta estamos construindo quando transformamos esperança em dívida, torcida em mercado e corpos em ativos.

Agora chegamos ao jogo maior.

O jogo maior é Decolonizar o Planeta.

A Copa 2026 mostra que o mundo ainda sabe se reunir. Mostra que bilhões de corpos ainda conseguem sentir um mesmo acontecimento. Mostra que a humanidade ainda procura ritmo, pertencimento, disputa, beleza, surpresa, catarse e futuro.

Mas também mostra que quase tudo o que nos reúne pode ser capturado.

A atenção pode ser capturada.
A torcida pode ser capturada.
O atleta pode ser capturado.
A criança pode ser capturada.
O sonho pode ser capturado.
A previsão pode ser capturada.
A Mata pode ser capturada.
O dinheiro pode ser capturado.
O Estado pode ser capturado.
O futuro pode ser capturado.

Decolonizar o planeta é interromper essa captura.

A economia colonial pergunta quanto um corpo deve

A economia colonial começa com uma pergunta:

quanto esse corpo deve?

Deve ao banco.
Deve ao cartão.
Deve ao aluguel.
Deve ao mercado.
Deve ao aplicativo.
Deve ao patrão.
Deve ao Estado.
Deve ao algoritmo.
Deve à bet.
Deve ao futuro que nunca chega.

Nessa economia, o corpo nasce dentro de uma contabilidade anterior a ele. Antes de existir plenamente, já entra em um mundo organizado por dívida, cobrança, produtividade, escassez, medo e comparação.

O corpo-território vira cliente.

Vira CPF endividado.
Vira score.
Vira perfil de risco.
Vira dado.
Vira mão de obra.
Vira usuário.
Vira aposta.
Vira público-alvo.
Vira estatística.
Vira ativo.

A economia colonial olha para um corpo e pergunta:

quanto ele consome?
quanto ele produz?
quanto ele paga?
quanto ele deve?
quanto ele aguenta?
quanto ele rende?
quanto ele pode ser explorado antes de quebrar?

Essa é a lógica que nos trouxe até aqui.

Uma lógica que extrai dos corpos, das florestas, dos rios, das infâncias, das mulheres, dos povos originários, dos trabalhadores, dos migrantes, dos atletas, dos biomas e das próximas gerações.

A economia colonial transforma vida em obrigação.

A economia decolonial pergunta o que um corpo-território precisa para existir com dignidade

A economia decolonial começa com outra pergunta:

o que cada corpo-território precisa para existir com dignidade?

Precisa respirar.
Precisa comer.
Precisa dormir.
Precisa aprender.
Precisa brincar.
Precisa pertencer.
Precisa cuidar.
Precisa ser cuidado.
Precisa circular.
Precisa ter tempo.
Precisa ter território.
Precisa ter linguagem.
Precisa ter saúde.
Precisa ter Mata.
Precisa ter água.
Precisa ter futuro.

Essa pergunta muda tudo.

Porque desloca o centro da economia.

Da dívida para a existência.
Do banco para o corpo-território.
Do lucro para a vida.
Da captura para o cuidado.
Da abstração financeira para a materialidade dos corpos.
Do crescimento sem chão para a regeneração do planeta.

A economia decolonial não pergunta primeiro quanto um corpo pode pagar.

Pergunta quais condições materiais permitem que esse corpo viva, aprenda, cuide, crie, pertença e participe do planeta com dignidade.

Essa é a virada.

Corpo-território como unidade mínima do Estado

Se queremos decolonizar o planeta, precisamos começar pela unidade mínima.

A unidade mínima do Estado não deveria ser o contrato.

Nem a empresa.

Nem a dívida.

Nem o banco.

Nem o algoritmo.

Nem o mercado financeiro.

A unidade mínima precisa ser o corpo-território vivo.

Cada corpo-território carrega DNA, água, memória, linguagem, afeto, movimento, cultura, ancestralidade, desejo, fome, sono, medo, esperança, aprendizado e pertencimento. Cada corpo-território nasce em relação: com outro corpo, com território, com ar, com alimento, com cuidado, com bioma, com tempo, com comunidade.

O Estado decolonial precisa partir daí.

Não do corpo abstrato da planilha.

Mas do corpo real que respira.

O corpo da criança que aprende.
O corpo da mãe que cuida.
O corpo do idoso que lembra.
O corpo do jovem que procura futuro.
O corpo do atleta que regula milhões.
O corpo do povo originário que protege território.
O corpo do trabalhador que sustenta a cidade.
O corpo da floresta que produz água, sombra, solo, clima e vida.

Quando o Estado esquece o corpo-território, ele vira máquina de dívida.

Quando o Estado reconhece o corpo-território, ele pode virar tecnologia de vida.

A Copa 2026 mostrou o mapa da captura

A Copa nos permitiu enxergar várias camadas de captura.

As bets capturam a previsão humana.

O torcedor tenta sentir o futuro antes que ele aconteça. A bet entra nesse gesto e transforma esperança em odds, ansiedade em clique, quase-acerto em retorno, perda em recuperação e ídolo em ponte emocional.

O racismo captura o corpo negro.

Tenta reduzir potência a insulto, arte a ameaça, alegria a provocação, dignidade a alvo. Quando Vini Jr. enfrenta o racismo, ele mostra que o corpo-território pode responder ao sistema e criar futuro simbólico para milhões.

O mercado captura o atleta.

Transforma imagem em campanha, corpo em ativo, influência em contrato, pertencimento em funil. O atleta que poderia regular simbolicamente a população pode ser usado para adoecer a população.

A dívida captura o tempo.

Faz o futuro chegar antes como cobrança. Organiza o mês, o sono, a respiração, o medo, a família e o desejo. O corpo vive hoje tentando pagar ontem com o dinheiro de amanhã.

O colonialismo captura o planeta.

Transforma território vivo em recurso, floresta em mercadoria, povo em mão de obra, rio em infraestrutura, criança em consumidor, Estado em garantidor de extração.

Por isso, o jogo maior é decolonizar.

APUS: sentir onde o corpo está no planeta

APUS apareceu na série como propriocepção estendida.

No futebol, APUS permite ao jogador sentir o campo antes da consciência discursiva. O corpo percebe posição, risco, espaço vazio, adversário, companheiro, linha, bola, pressão e oportunidade. O grande jogador não procura apenas espaço. Ele sente o espaço nascendo.

No planeta, precisamos de APUS civilizatório.

Precisamos sentir onde estamos.

Sentir que o corpo urbano depende da Mata.
Sentir que o alimento depende do solo.
Sentir que a cidade depende da água.
Sentir que o clima depende dos biomas.
Sentir que o dinheiro depende de corpos vivos.
Sentir que a infância depende de futuro respirável.
Sentir que um país não existe fora de seu território vivo.

A civilização colonial perdeu APUS.

Ela caminha como jogador que corre olhando só para a bola, sem sentir campo, linha, companheiro, risco e espaço. Acha que avança, mas destrói o próprio território de jogo.

Decolonizar o planeta é recuperar APUS.

Sentir o campo maior.

Tekoha: sentir cultura, território e pertencimento dentro do corpo

Tekoha apareceu como interocepção estendida com cultura.

O atleta sente músculo, respiração e batimento. Mas também sente camisa, país, torcida, história, cobrança, alegria, trauma e pertencimento.

Uma sociedade também tem Tekoha.

Sente sua língua.
Sente suas músicas.
Sente suas comidas.
Sente suas festas.
Sente suas matas.
Sente seus mortos.
Sente seus rios.
Sente suas feridas.
Sente seus sonhos.

Quando o colonialismo impõe uma verdade única, ele fere o Tekoha dos povos.

Quando o mercado transforma tudo em consumo, ele empobrece o Tekoha.

Quando as bets transformam futebol em plataforma de aposta, elas capturam o Tekoha da torcida.

Quando o dinheiro em dívida organiza a vida, ele aperta o Tekoha até o corpo esquecer como existir fora da cobrança.

Decolonizar o planeta é devolver Tekoha aos corpos.

É permitir que cada povo, cada território e cada corpo-território reconheça sua própria forma de viver sem ser esmagado por uma economia que mede tudo por rendimento financeiro.

Jiwasa adversarial: o conflito dentro de um campo comum

No Blog 11, perguntamos se dois times adversários podem participar de um comum.

A resposta foi sim.

Mesmo em oposição, compartilham campo, regra, bola, tempo, risco, placar e acontecimento. A partida cria um terceiro corpo: o corpo vivo do jogo.

Essa ideia serve ao planeta.

A humanidade também está em Jiwasa adversarial.

Povos, Estados, empresas, mercados, religiões, tecnologias, biomas e gerações disputam futuro dentro do mesmo planeta. Há conflito real. Há interesses diferentes. Há assimetrias históricas. Há exploração. Há violência. Há captura.

Mas todos compartilham o mesmo campo material.

A mesma atmosfera.
O mesmo ciclo da água.
A mesma dependência de alimentos.
A mesma crise climática.
A mesma biodiversidade ameaçada.
A mesma finitude do corpo.
A mesma necessidade de cuidado.

O planeta é o campo comum.

A colonialidade tenta vencer destruindo o campo.

A decolonização entende que vitória verdadeira preserva o campo onde a vida continua jogando.

EEG, NIRS e o próximo passo da ciência corpo-territorial

EEG e NIRS apareceram nesta série como ferramentas para estudar o corpo em relação.

O EEG mostra atividade elétrica cerebral com alta resolução temporal. Pode ajudar a observar como corpo e cognição se reorganizam quando esforço físico e tarefa mental acontecem juntos.

O NIRS permite medir mudanças hemodinâmicas corticais em contextos mais móveis e sociais. Com hyperscanning, pode estudar vários corpos ao mesmo tempo: jogadores, adversários, técnicos, talvez torcedores em camadas experimentais.

Essas tecnologias apontam para uma mudança científica.

Sair do cérebro isolado.

Entrar nos corpos em relação.

Sair do indivíduo abstrato.

Entrar no corpo-território situado.

Sair da performance como número.

Entrar no metabolismo coletivo de atenção, respiração, gesto, emoção, espaço, regra, risco, esperança e pertencimento.

A ciência decolonial não rejeita tecnologia.

Ela pergunta:

a tecnologia serve à vida ou à captura?

Serve para proteger atletas ou para explorá-los?
Serve para compreender coletivos ou para controlar corpos?
Serve para reduzir sofrimento ou para aumentar vigilância?
Serve para criar cuidado ou para vender performance a mercados predatórios?

O dado do corpo-território precisa pertencer à vida do corpo-território.

Alostase coletiva: populações precisam de regulação pública

A Copa também mostrou que uma sociedade se regula por símbolos.

Atletas, artistas, líderes e políticos regulam afetos coletivos. Podem abrir coragem, pertencimento e esperança. Podem também vender medo, cinismo, obediência e ansiedade.

A alostase coletiva é essa capacidade de muitos corpos ajustarem tensão, respiração, expectativa e sentido em torno de um acontecimento comum.

A Copa pode oferecer isso.

Populações cansadas encontram ritmo.
Populações ansiosas encontram catarse.
Populações endividadas encontram pausa.
Populações humilhadas encontram dignidade simbólica.
Populações fragmentadas encontram linguagem comum.

Por isso, a imagem do atleta tem função pública.

Ela regula.

Quando a imagem do atleta é entregue às bets, algo grave acontece: a ferramenta existencial de cura pública vira ponte para adoecimento.

Esse é um dos pontos centrais da série.

O atleta não é apenas anunciante.

Ele é tecnologia simbólica de regulação coletiva.

Drex oficial e DREX Cidadão: distinguir infraestrutura de horizonte decolonial

Aqui chegamos ao dinheiro.

O Banco Central do Brasil apresenta o Drex como a moeda digital brasileira em fase de testes, associada a transações seguras com ativos digitais, contratos inteligentes e novos produtos e serviços financeiros digitais.

Esse é o Drex oficial.

Mas o que propomos aqui é outra camada:

DREX Cidadão.

DREX Cidadão não é apresentado aqui como programa oficial já existente.

É uma proposta de desenho econômico decolonial.

Um horizonte.

Uma pergunta:

e se a infraestrutura digital do dinheiro pudesse servir primeiro à existência dos corpos-territórios, e não apenas à sofisticação do mercado financeiro?

E se uma moeda digital pública pudesse ajudar a remunerar cuidado, preservação, regeneração, pertencimento, educação, saúde, Mata em pé e existência digna?

E se o dinheiro público programável pudesse garantir que cada corpo-território recebesse condições mínimas para viver antes de ser empurrado para a dívida?

E se o centro do sistema monetário deixasse de ser apenas crédito, juros, cobrança e intermediação, e passasse a incluir existência, território, bioma e cuidado?

Essa é a pergunta do DREX Cidadão.

Da dívida ao direito de existir

O dinheiro atual nasce, em grande parte, associado à dívida, ao crédito, à intermediação e à promessa de pagamento futuro.

O corpo entra nessa lógica como devedor.

Mas uma economia decolonial precisa reconhecer que existir vem antes de dever.

Antes de pagar, o corpo precisa comer.

Antes de produzir, precisa dormir.

Antes de performar, precisa aprender.

Antes de consumir, precisa pertencer.

Antes de competir, precisa respirar.

Antes de ser cliente, precisa ser corpo-território.

DREX Cidadão seria uma forma de imaginar dinheiro público digital vinculado à existência.

Não como favor.

Como reconhecimento material de que cada corpo-território é unidade viva do Estado e parte do planeta.

A economia colonial pergunta:

quanto você deve?

A economia decolonial pergunta:

o que você precisa para existir com dignidade e contribuir para a vida comum?

Mata em pé, PSA, carbono e corpo-território

O Brasil já possui bases jurídicas importantes para pensar pagamento por serviços ambientais e mercado regulado de carbono.

A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais reconhece a possibilidade de remunerar quem contribui para conservação, recuperação e manejo sustentável do meio ambiente. O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa cria uma estrutura regulada para emissões e ativos climáticos.

A pergunta decolonial é:

como essas estruturas podem chegar ao corpo-território que vive perto da Mata, cuida da água, preserva biodiversidade, protege solo, mantém corredores ecológicos e sustenta a vida comum?

Se a Mata em pé gera valor climático, hídrico, alimentar, cultural e planetário, esse valor precisa alcançar as comunidades que convivem com ela.

DREX Cidadão poderia ser imaginado como infraestrutura para conectar:

CPF;
território;
bioma;
serviço ambiental;
pagamento público;
renda de cuidado;
carbono preservado;
água protegida;
Mata em pé;
dignidade material.

Essa proposta exige proteção contra captura.

Porque o mercado também pode capturar carbono, biodiversidade e PSA. Pode transformar Mata em ativo abstrato sem garantir justiça para quem vive no território. Pode vender “verde” enquanto mantém desigualdade.

Por isso, a pergunta central é:

o dinheiro da regeneração chega ao corpo-território ou fica preso na engenharia financeira?

Bets são o anti-DREX Cidadão

As bets mostram o oposto.

Elas usam tecnologia digital para extrair do corpo vulnerável.

DREX Cidadão usaria tecnologia digital para garantir existência.

A bet diz:

deposite.

DREX Cidadão diria:

exista.

A bet diz:

recupere sua perda.

DREX Cidadão diria:

sua vida não começa na perda.

A bet diz:

você pode vencer a máquina.

DREX Cidadão diria:

a máquina pública deve proteger sua vida.

A bet monetiza previsão.

DREX Cidadão sustentaria futuro.

A bet transforma esperança em risco individual.

DREX Cidadão transformaria cuidado em infraestrutura pública.

A bet captura o corpo-território.

DREX Cidadão reconheceria o corpo-território como centro.

Essa oposição resume a série.

Decolonizar o dinheiro

Decolonizar o dinheiro significa perguntar de onde ele vem, para onde ele vai e que tipo de vida ele produz.

O dinheiro pode produzir dívida infinita.

Pode produzir concentração.

Pode produzir destruição ambiental.

Pode produzir dependência.

Pode produzir ansiedade.

Pode produzir guerra.

Pode produzir mercado predatório.

Mas também pode produzir cuidado.

Pode produzir renda de existência.

Pode produzir regeneração.

Pode produzir Mata em pé.

Pode produzir escola.

Pode produzir saúde.

Pode produzir tempo livre.

Pode produzir esporte comunitário.

Pode produzir cultura.

Pode produzir infância protegida.

Pode produzir velhice digna.

O dinheiro não é neutro.

Ele organiza o corpo.

Organiza o sono.
Organiza a fome.
Organiza a casa.
Organiza a cidade.
Organiza o desejo.
Organiza a pressa.
Organiza a violência.
Organiza a esperança.
Organiza o futuro.

Por isso, decolonizar o planeta exige decolonizar o dinheiro.

Decolonizar o Estado

O Estado colonial protege propriedade antes de proteger existência.

Protege contrato antes de proteger território vivo.

Protege fluxo financeiro antes de proteger fluxo de água.

Protege crescimento abstrato antes de proteger infância concreta.

Um Estado decolonial precisa inverter essa ordem.

Primeiro, corpo-território.

Depois, mercado.

Primeiro, vida.

Depois, contrato.

Primeiro, Mata.

Depois, ativo.

Primeiro, água.

Depois, logística.

Primeiro, infância.

Depois, produtividade.

Primeiro, existência.

Depois, dívida.

Essa inversão não é poesia.

É desenho institucional.

É orçamento.

É lei.

É tecnologia.

É moeda.

É dado.

É educação.

É saúde.

É bioma.

É segurança alimentar.

É infraestrutura pública.

É política fiscal.

É política monetária.

É imaginação civilizatória.

O planeta como corpo-território comum

A série começou no futebol, mas termina no planeta.

Porque o planeta também é corpo-território.

Tem água.
Tem ciclos.
Tem respiração.
Tem florestas.
Tem solos.
Tem febres.
Tem feridas.
Tem memória geológica.
Tem espécies.
Tem ritmos.
Tem limites.
Tem regenerações.
Tem colapsos possíveis.

A modernidade colonial tratou o planeta como campo a ser conquistado.

Agora precisamos tratá-lo como corpo comum a ser cuidado.

O planeta não é cenário.

É condição.

Sem campo, não há jogo.

Sem bioma, não há economia.

Sem água, não há Estado.

Sem corpo, não há futuro.

Decolonizar o planeta é lembrar que a vida precede a propriedade.

Manifesto DREX Cidadão

DREX Cidadão, como conceito decolonial, poderia seguir alguns princípios:

1. Existência antes da dívida
Todo corpo-território precisa de base material para viver antes de ser empurrado à lógica da cobrança.

2. Bioma como infraestrutura viva
Mata, água, solo, biodiversidade e clima precisam ser tratados como infraestrutura de vida, não como externalidade.

3. Pagamento por cuidado real
Quem preserva, regenera, educa, cuida e sustenta vida comum precisa participar da riqueza gerada por esse cuidado.

4. Tecnologia com privacidade e dignidade
Moeda digital pública precisa proteger dados, autonomia e liberdade, evitando vigilância, controle predatório e exclusão.

5. Corpo-território como centro do Estado
Toda política econômica deve responder à pergunta: isto aumenta ou reduz a dignidade material dos corpos-territórios?

6. Crianças como bússola temporal
Uma economia justa precisa ser julgada pelo futuro que cria para crianças, e não apenas pelo rendimento que entrega a investidores.

7. Mata em pé como geração de valor
Preservar e regenerar biomas deve gerar renda concreta para quem vive com eles, cuidando para que mercados climáticos sirvam ao território, e não apenas à especulação.

8. Esporte, arte e cultura como saúde pública simbólica
Atletas, artistas e culturas populares precisam ser protegidos da captura por produtos que adoecem a população.

9. Dados do corpo pertencem à vida do corpo
EEG, NIRS, biometria, tracking e inteligência artificial devem servir ao cuidado, à saúde, à cooperação e ao conhecimento, sempre com consentimento e proteção.

10. O planeta como campo comum
Toda economia precisa lembrar que adversários também compartilham campo. Destruir o campo é destruir a possibilidade de qualquer vitória.

O futebol como professor da decolonização

O futebol ensina.

Ensina que ninguém joga sozinho.

Ensina que regra cria campo comum.

Ensina que adversário faz parte do jogo.

Ensina que talento precisa de coletivo.

Ensina que torcida regula corpo.

Ensina que tempo vivido é diferente de relógio.

Ensina que esperança move multidões.

Ensina que um gol muda estados.

Ensina que o corpo sabe antes da palavra.

Ensina que o jogo bonito nasce quando técnica, alegria, território e pertencimento se encontram.

A economia colonial desaprendeu isso.

Acha que vitória é acumular enquanto o campo morre.

Acha que inteligência é extrair mais rápido.

Acha que futuro é dívida bem calculada.

Acha que tecnologia é controle.

Acha que corpo é recurso.

Acha que planeta é objeto.

O futebol mostra outra coisa.

Mostra que o campo precisa existir para o jogo continuar.

Neurodesafio final da série

A Copa 2026 será vista por bilhões.

Alguns verão apenas gols.

Outros verão mercados.

Outros verão narrativas nacionais.

Outros verão atletas.

Outros verão propaganda.

Nós propomos ver também o campo profundo:

corpos-territórios tentando sentir futuro juntos.

A pergunta final da série é:

qual futuro estamos treinando quando torcemos?

Um futuro onde crianças aprendem que esperança vira aposta?

Um futuro onde atletas vendem sua imagem para máquinas de ansiedade?

Um futuro onde florestas viram ativos sem justiça territorial?

Um futuro onde o dinheiro nasce para cobrar corpos?

Um futuro onde o Estado serve à dívida antes de servir à vida?

Ou um futuro onde o corpo-território volta ao centro?

Onde Mata em pé gera dignidade.

Onde tecnologia serve ao cuidado.

Onde moeda pública sustenta existência.

Onde atletas protegem crianças.

Onde ciência mede coletivos para fortalecer vida.

Onde adversários compartilham campo sem destruir o campo.

Onde a economia pergunta, antes de qualquer cobrança:

o que este corpo-território precisa para existir com dignidade?

A Copa é o portal.

O jogo maior é o planeta.

A vitória verdadeira será deslocar o centro do mundo:

da dívida para a existência.

da captura para o cuidado.

do mercado predatório para o corpo-território.

da economia colonial para uma economia decolonial.

É tempo de decolonizar o planeta.

Referências pós-2021 e bases comentadas

Banco Central do Brasil. (2024–2026). Drex — Real Digital e FAQ Drex.
Base oficial para distinguir o Drex existente, ainda em fase de testes, da proposta conceitual de DREX Cidadão. O Banco Central apresenta o Drex como infraestrutura para transações seguras com ativos digitais, contratos inteligentes e novos serviços financeiros digitais.

Tribunal de Contas da União. (2026). Drex: criação do Real digital pelo BC é avaliada pelo TCU.
Fonte institucional que reforça a discussão pública sobre contratos inteligentes e dinheiro programável no contexto do Drex.

Tan, B. J. (2023). Central Bank Digital Currency and Financial Inclusion. IMF Working Paper.
Discute como CBDCs de varejo podem dialogar com inclusão financeira, especialmente em países em desenvolvimento, ao ampliar acesso a dinheiro de banco central e serviços financeiros.

Di Iorio, A., Kosse, A., & Mattei, I. (2024). Embracing diversity, advancing together: results of the 2023 BIS survey on central bank digital currencies and crypto. BIS Papers No. 147.
Apresenta levantamento global com bancos centrais sobre CBDCs e criptoativos, situando o Drex em um movimento internacional mais amplo de experimentação monetária digital.

OECD. (2023). Central Bank Digital Currencies and Democratic Values.
Ajuda a enquadrar CBDCs a partir de confiança, privacidade, governança democrática, desenho institucional e riscos de controle.

Brasil. Lei nº 14.119, de 13 de janeiro de 2021. Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais.
Institui a PNPSA, permitindo discutir remuneração por conservação, recuperação e manejo sustentável do meio ambiente como base jurídica para uma economia de cuidado territorial.

Brasil. Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024. Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa.
Institui o SBCE, oferecendo base jurídica para pensar mercado regulado de carbono e a necessidade de garantir que ativos climáticos beneficiem territórios e comunidades cuidadoras.

Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. (2024–2026). Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais.
Resume a PNPSA como política voltada a reconhecer, valorizar e remunerar quem contribui para conservação, recuperação e manejo sustentável do meio ambiente.

IPCC. (2022). Climate Change 2022: Mitigation of Climate Change. Working Group III contribution to the Sixth Assessment Report.
Base climática para discutir mitigação, uso da terra, florestas, agricultura e necessidade de mudanças estruturais em energia, território e economia.

World Health Organization. (2024). Gambling.
Apresenta gambling como fonte de danos à saúde, incluindo sofrimento mental, suicídio, pobreza, desvio de gastos essenciais e ruptura de relações.

Wardle, H., et al. (2024). The Lancet Public Health Commission on gambling. The Lancet Public Health.
Enquadra o gambling digital como ameaça global de saúde pública, com danos sociais, econômicos e de saúde mental ampliados pela digitalização e pelo marketing.

McGrane, E., et al. (2025). What is the impact of sports-related gambling advertising on gambling behaviour? A systematic review. Addiction.
Revisa evidências de que a exposição à publicidade de apostas esportivas se associa ao aumento de comportamentos de aposta, reforçando a crítica à presença de bets no esporte.

Theriault, J. E., Young, L., & Barrett, L. F. (2025). It’s not the thought that counts: Allostasis at the core of mental life. Neuron.
Sustenta a alostase como núcleo da vida mental, ajudando a pensar corpo, previsão, regulação e economia como processos corporais.

Delgado, M. R., et al. (2023). Characterizing the mechanisms of social connection. Neuron.
Ajuda a fundamentar a ideia de que conexão social regula estados internos, importante para alostase coletiva, torcida e símbolos públicos.

Czeszumski, A., et al. (2022). Cooperative Behavior Evokes Interbrain Synchrony in the Prefrontal and Temporoparietal Cortex. eNeuro.
Revisão sistemática e meta-análise de hyperscanning fNIRS mostrando sincronia interbrain em cooperação, base importante para pensar Jiwasa verdadeiro como hipótese operacional.

Zhang, H., Liu, H., Li, Z., & Zhang, D. (2025). Distinct fNIRS Inter-Brain Coupling Patterns for Cooperation versus Competition in a Tennis Game. Social Cognitive and Affective Neuroscience.
Aproxima fNIRS hyperscanning de contextos esportivos e ajuda a pensar que competição também pode gerar acoplamentos interbrain específicos.

Bourgeais, Q., Charrier, R., Sanlaville, E., & Seifert, L. (2024). A temporal graph model to study the dynamics of collective behavior and performance in team sports. Social Network Analysis and Mining.
Oferece base para modelar esportes coletivos como sistemas dinâmicos por grafos temporais, integrando comportamento, espaço e performance.

Pitt, H., et al. (2024). Young people’s views about the use of celebrities and social media influencers in gambling marketing. Health Promotion International.
Ajuda a sustentar a preocupação com celebridades, influenciadores, atletas e normalização do marketing de apostas entre jovens.

Zaragocin, S., & Caretta, M. A. (2021). Cuerpo-Territorio: A Decolonial Feminist Geographical Method for the Study of Embodiment. Annals of the American Association of Geographers.
Referência complementar para o conceito corpo-território, usada aqui como base de diálogo com epistemologias decoloniais do corpo, território e pertencimento.

Algumas bases factuais importantes: o Banco Central apresenta o Drex como infraestrutura para transações seguras com ativos digitais e informa, em seu FAQ oficial, que ele segue em fase de testes; por isso, “DREX Cidadão” foi tratado no texto como proposta conceitual, não como programa oficial. (Banco Central do Brasil) A Lei nº 14.119/2021 institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, e o MMA resume seu objetivo como reconhecer, valorizar e remunerar quem contribui com conservação, recuperação e manejo sustentável do meio ambiente. (Planalto) A Lei nº 15.042/2024 institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, base jurídica para pensar carbono regulado no Brasil. (Planalto)

A crítica às bets permanece ancorada em saúde pública: a OMS afirma que gambling pode ameaçar a saúde, contribuir para sofrimento mental e suicídio, e desviar gastos familiares de bens e serviços essenciais; a Comissão da Lancet Public Health enquadra o gambling digital como ameaça global em expansão. (World Health Organization) Para a camada de moeda digital, o IMF discute CBDCs de varejo e inclusão financeira, enquanto o BIS mostra que muitos bancos centrais seguem explorando CBDCs e criptoativos. (imf.org)

 

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Copa 2026 e o cérebro que aposta - previsão, recompensa e piadas como profilaxia metacognitiva

Copa Mundial 2026 y Jiwasa Falso - cuando el colectivo es capturado

World Cup 2026 and False Jiwasa - when the collective is captured

Copa 2026 e Jiwasa Falso - quando o coletivo é capturado

Copa Mundial 2026 y Jiwasa Verdadero - cuando once jugadores se vuelven un equipo

World Cup 2026 and True Jiwasa - when eleven players become a team

Copa 2026 e Jiwasa Verdadeiro - quando onze jogadores viram um time

Copa Mundial 2026 y APUS - cuando el cuerpo siente el campo antes de la conciencia

World Cup 2026 and APUS - when the body feels the field before consciousness

Copa 2026 e APUS - quando o corpo sente o campo antes da consciência

Copa Mundial 2026 y Weichö - cada atleta revela un mundo en movimiento

World Cup 2026 and Weichö - every athlete reveals a world in motion

Copa 2026 e Weichö - cada atleta revela um mundo em movimento

Copa Mundial 2026 - Mata Atlantica UMBU y Joinville - las tres capas existenciales del jugador

World Cup 2026 - Atlantic Forest, UMBU, and Joinville - the three existential layers of the player

Copa 2026 - Mata Atlântica, UMBU e Joinville - as três camadas existenciais do jogador

Copa Mundial 2026 y Cuerpo-Territorio 5D - donde el juego nace antes de suceder

World Cup 2026 and the 5D Body-Territory - where the game is born before it happens

Copa 2026 e Corpo-Território 5D - onde o jogo nasce antes de acontecer

Copa Mundial 2026 - antes del fútbol moderno, la pelota ya era América

World Cup 2026 - Before Modern Football, the Ball Was Already America

Copa 2026 - antes do futebol moderno, a bola já era América

Cuando la empatía se vuelve máscara

When Empathy Becomes a Mask

Quando a Empatia Vira Máscara

 COPA 2026  Money Money and Bets
COPA 2026  Money Money and Bets

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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States