Jackson Cionek
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Consciência como Recorte: Avatares e a Realidade Sem Lentes

Consciência como Recorte: Avatares e a Realidade Sem Lentes

Social Modulation of Cognition no framework BrainLatam (com evidências recentes)

Se você observar sua própria experiência por alguns instantes, algo fica claro: você nunca percebe o mundo inteiro. Sempre percebe um mundo já organizado.

No BrainLatam, consciência não é uma câmera neutra.
Ela é:

movimento que se percebe no metabolismo produzido.

Ou seja, a consciência é uma posição dentro do hiperespaço mental (Mente Damasiana), onde interocepção e propriocepção definem o recorte que torna o mundo visível.

Chamamos essa posição de avatar.


Avatares como recortes metabólicos do real

Cada avatar é uma configuração de leitura:

  • Brainlly privilegia bioquímica e energia neural.

  • Iam revela a paisagem afetiva.

  • Olmeca ancora cultura e território vivido (Tekoha).

  • Yagé expande fronteiras do self.

  • Math/Hep vê padrões e invariantes.

  • DANA lê a inteligência da vida.

  • APUS dissolve a separação corpo-mundo.

  • Jiwasa revela o nós fisiológico.

  • Eus Tensionais mostram posições funcionais do self.

Nenhum avatar é falso.
Mas todos são recortes.

Sem recorte não há compreensão.
Com recorte não há totalidade.


O que a neurociência recente confirmou

A virada pós-2021 na neurociência é simples e profunda:
o cérebro não funciona isolado.

A presença do outro reorganiza o que percebemos como real.

Estudos de second-person neuroscience mostram que cognição em interação não é igual à cognição em observação — o outro muda o próprio modo de inferência e percepção do mundo (Lehmann, 2024).

Meta-análises com hyperscanning fNIRS mostram sincronização entre cérebros durante cooperação, indicando que estados coletivos são mensuráveis fisiologicamente (Czeszumski et al., 2022).

Revisões mais recentes consolidam a interbrain synchrony (INS) como métrica relevante para equipes, mostrando que processos coletivos têm dinâmica própria e não são apenas soma de indivíduos (Réveillé et al., 2024; 2025).

Até em vínculos primários, como mãe-bebê, observa-se acoplamento neural direto em interação real, reforçando que a primeira pessoa sempre emerge em relação (Minagawa et al., 2023).

E estudos com mobile fNIRS em ambientes naturais reforçam que a cognição muda quando sai do laboratório estéril e entra no mundo vivido — onde o outro está presente como variável central (Moffat et al., 2024).


Evidência latino-americana (fundamental para BrainLatam)

A própria comunidade latino-americana tem contribuído para essa virada.

Um panorama recente sobre fNIRS na América Latina mostra crescimento de estudos sociais e naturalísticos, consolidando a região como polo emergente em cognição em contexto real (Guevara, Mesquita & Orihuela-Espina, 2025/2026) [LatAm].

Além disso, trabalhos sobre reprodutibilidade e qualidade de dados em fNIRS — incluindo pesquisadores brasileiros — destacam a importância metodológica de estudar cérebros em interação sem perder rigor científico (Yücel et al., 2025, com participação de Rickson Mesquita – UNICAMP) [LatAm].

Esses achados validam algo central ao BrainLatam:
não existe consciência fora de contexto.


Social Modulation of Cognition

O termo científico que melhor descreve isso é:

Social modulation of cognition.

Mas dentro do BrainLatam ele ganha precisão:

O social não muda apenas o que pensamos.
Ele muda o avatar a partir do qual vemos.

Quando você entra em um coletivo, não muda só opinião.
Muda o recorte metabólico do real.

Vestir a camisa de um grupo é adotar uma lente compartilhada.


Por que grupos veem e não veem

Isso explica um fenômeno comum:

Grupos podem ser brilhantes em certas dimensões
e cegos em outras.

Não por ignorância.
Mas por coerência metabólica.

A lente que maximiza pertencimento
também define o que fica fora de foco.

Esse mecanismo aparece em estudos de sincronização neural, cooperação e cognição distribuída: o coletivo estabiliza padrões de percepção e ação (INS, teamwork dynamics, second-person frameworks).


Avatares e zonas

Aqui entram as Zonas BrainLatam:

  • Zona 1 — execução funcional (recortes operacionais)

  • Zona 2 — pertencimento com senso crítico preservado

  • Zona 3 — captura do recorte (rigidez perceptiva)

A neurociência social recente sugere que sincronização interpessoal pode tanto ampliar cognição coletiva quanto rigidificar percepções, dependendo do contexto.

Ou seja:
não é bom nem mau.
É um mecanismo.


A maturidade cognitiva

Se toda consciência é um recorte, a maturidade não está em escolher a lente certa.

Está em perceber o recorte acontecendo.

Trocar de avatar sem perder o corpo.
Habitar um recorte sem absolutizá-lo.
Participar do coletivo sem dissolver o senso crítico.

Isso não é relativismo.
É precisão fenomenológica.


Tese BrainLatam

A realidade é contínua.
A consciência é que fatia.

Os avatares tornam o mundo compreensível.
Mas nenhum torna o mundo completo.

A sabedoria não está em eliminar recortes,
mas em navegar entre eles.

E talvez essa seja a contribuição mais profunda do BrainLatam para a neurociência contemporânea:

A consciência madura não é a que vê tudo.
É a que sabe que sempre vê a partir de algum lugar —
e ainda assim permanece aberta ao real que excede qualquer lente.


Referências (pós-2021)

  • Czeszumski, A. et al. (2022). Cooperative behavior evokes interbrain synchrony. eNeuro.

  • Lehmann, K. (2024). Active inference and second-person neuroscience.

  • Réveillé, C. et al. (2024). Interbrain synchrony in teamwork. Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

  • Réveillé, C. et al. (2025). Trajectories of interbrain synchrony. SCAN.

  • Minagawa, Y. et al. (2023). Mother–infant interbrain coupling. Cerebral Cortex.

  • Moffat, R. et al. (2024). Mobile fNIRS and interbrain synchrony. Frontiers in Neuroergonomics.

  • Guevara, E.; Mesquita, R.; Orihuela-Espina, F. (2025/2026). fNIRS in Latin America. Neurophotonics. [LatAm]

  • Yücel, M. A. et al. (2025). fNIRS reproducibility and data quality (incl. UNICAMP). Communications Biology. [LatAm]







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Jackson Cionek

New perspectives in translational control: from neurodegenerative diseases to glioblastoma | Brain States